sábado, 10 de dezembro de 2016

Infans: o que não fala

Esta obra baseou-se no livro de Javier Naranjo, Casa das estrelas o mundo contato pelas crianças.
Foi realizada por acadêmicos do curso de Educação Física da UFSC como um trabalho final da disciplina optativa, Educação Física e Mídia.
Teve como objetivo questionar as crianças quanto ao significado de algumas palavras, que foram selecionadas de acordo com o interesse dos autores.
As crianças citadas na obra, frequentam uma creche na região da grande Florianópolis e todas participaram com o consentimento dos pais e da diretoria da instituição. 

A falta de visibilidade dos Jogos Paralímpicos


Os jogos olímpicos é o maior evento esportivo mundial, recebendo uma cobertura midiática exacerbada, especialmente nos meios televisivos cujas programações sofrem ajustes para transmiti-los. Entretanto com os jogos paralímpicos a situação é diferente.
Durante as paralimpiadas a única mídia da TV aberta a transmitir parcialmente o evento foi a TV Brasil, esta a qual muitas vezes não é sintonizada em todas as residências.  Já entre os canais pagos a SportTV transmitiu através de 4 canais, diferente dos jogos olímpicos que contou com 16.
A rede globo de televisão nos jogos olímpicos fez uma transmissão das cerimônias de abertura e encerramento, diversos esportes em tempo real além de ter dentro do parque olímpico um grande estúdio onde participava de todos os teles jornais da emissora ao vivo, inclusive recebendo medalhistas de ouro no estúdio. No entanto durante os jogos paralímpicos a emissora se limitou a vídeo tapes de em média 10 minutos com o resumo dos acontecimentos.
Em tempos em que a inclusão é tão discutida, as paralimpíadas sofreram certa exclusão no quesito de não ter tido atenção e destaque durante seu acontecimento. Os canais de televisão aberta se limitam a fazer matérias tendo como tema principal a superação e a inclusão de pessoas com deficiência no âmbito esportivo, no entanto “esquecem” muitas vezes de destacar suas performances como fazem com os atletas olímpicos gerando uma contradição, já que as duas competições são mundiais e igualmente importantes.

Em reflexo a tal descaso com o esporte paralimpico, vemos que o preço dos ingressos e o público atingido.
Com relação ao preço dos ingressos, houve uma disparidade entre os dois eventos. Enquanto nas Olimpíadas os ingressos variavam de R$100,00 até R$1000,00, nas Paralimpadas, o ingresso mais caro custava R$90,00 na Natação. Alguns ingressos das Paralimpiadas custavam R$10,00, de esportes desconhecidos da maioria dos Brasileiros, como Bocha Paralimpica e Goalball. A discrepância entre o preço dos ingressos desses dois eventos pode ser dada pela falta de visibilidade midiática nas Paralimpiadas. Além desta falta de visibilidade, o conhecimento sobre o paradesporto ainda é carente em nosso país. Por canta dos baixos preços dos ingressos o evento contemplou um público de classes sociais mais baixas, inclusive boa parte dos ingressos foram comprados pela prefeitura do Rio de Janeiro e destinados a escolas da cidade. Acreditamos que o valor dos ingressos contribuiu para que o evento conquistasse o maior publico dos jogos, total de 167 mil ingressos vendidos em um único dia. Desde modo o jogo paralímpicos estava repleto de pessoas de diferentes lugares do mundo e de diferentes classes sociais.

                                Elaborado por: Camilla Luiz, Cláudio Fontão, Jéssica Silveira e Vivian Souza.

O MMA COMO ESPORTE FEMININO

O Mixed Martial Arts (Artes Marciais Mistas, MMA) surgiu nos anos 90, mas teve sua origem desde antes de Cristo. No período de 648 a.C era presente o pancrácio, uma luta popular comum na Grécia que foi incorporada as olimpíadas antigas. Este estilo de luta era usado por militares de Esparta e o embate envolvia socos, chutes e estrangulamentos no solo. A vitória era dada para quem deixasse o oponente inconsciente primeiro.
MMA Feminino


Apesar de o MMA ter sua origem no período antes de Cristo, foi somente nos anos 90 que o esporte começou a ser praticado. O MMA tem tradição entre os homens, com transmissões freqüentes na televisão aberta. Já o MMA feminino somente foi conhecido em uma luta que ocorreu no UFC 184 em fevereiro de 2015, onde foi conhecida a campeã da categoria Peso Galo Feminino. Nesta noite, estava previsto uma luta entre a disputa de cinturão masculina, porém um dos atletas que iria lutar se machucou dias antes do evento. E, como tal programação envolve muito dinheiro, o organizador do UFC, Dana Whyte, optou por manter o evento. Nesse dia teriam outras duas lutas de outras categorias masculinas, uma luta feminina, e a grande disputa pelo cinturão feminino. Como a luta principal não iria acontecer, a mídia optou por valorizar a luta de cinturão feminina, entre Ronda Rousey e Cat Zingano.

Vemos então que o MMA feminino foi valorizado pela ausência da luta principal na categoria masculina. Essa desvalorização da mulher permeia por todo o âmbito das lutas. Uma pesquisa feita pelo site ESPN mostra que Ronda Rousey, a principal lutadora do MMA feminino ganha 10 vezes menos que o principal lutador do MMA masculino, brasileiro Anderson Silva. A busca por patrocínio também é algo que muda entre as categorias de gênero. Além disso, a visibilidade que as mulheres têm no esporte em geral é baixa. E nas lutas e no MMA não é diferente, tendo um valor diferente nas transmissões e um público menor.


A lutadora de MMA, Ronda Rousey.
Não bastando essa desvalorização da mulher dentro do mercado e das lutas, vemos nesse meio uma sexualização do corpo feminino quando, por exemplo, em paralelo ao UFC acontece a Lingerie Fighting Championship, onde apenas mulheres competem e todas usam apenas lingeries. Segundo os criadores, a “Lingerie Fighting Championships Inc. é uma empresa de mídia focada no desenvolvimento, produção, promoção e distribuição de entretenimento original para o público maduro.” Porém não é mais cabível a utilização da mulher como objeto, para um público “maduro”. Maturidade é respeito ao próximo, é respeitar as mulheres do mesmo modo que os homens, sem sexualização.


Lingerie Fighting Championship 


Elaborado por: Cláudio Fontão e Vivian Souza.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Legados dos jogos para a cidade do Rio e para o Brasil



 
Este breve texto aborda de modo geral como algumas mídias apresentaram à população brasileira e ao mundo o Legado das Olimpíadas para o Rio de Janeiro e para o Brasil. No decorrer de nossas pesquisas encontramos reportagens, documentários, vídeos – propagandas, informativos do Governo Federal e comentários em redes sociais, nós utilizamos principalmente a Internet como uma ferramenta de busca.
A escolha do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas e as Paraolimpíadas se dá no ano de 2009, a partir desse instante cria-se o discurso de que esses dois eventos deixariam um legado não só para a cidade do Rio de Janeiro como para todo o Brasil. E o que é o Legado? É um conjunto de obras de infraestrutura (incluindo esportiva) e políticas públicas nas áreas de mobilidade, meio ambiente, urbanização, educação e cultura, segundo informações retiradas da Autoridade Pública Olímpica (APO).  As obras de políticas públicas totalizaram 27 projetos, organizados em: 14 projetos para o Município, 10 para Estado e 3 para a União.
 As obras realizadas no Rio de Janeiro foram: Mobilidade: Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), Custo: 1,18 bilhão; Ampliação do Elevado do Joá, Custo: 475,95 milhões; BRT Transolímpica e Transoeste, Custo: 2,39 bilhões; Linha 4 do Metrô Rio, Custo: 8,79 bilhões. Infraestrutura: Porto Maravilha, Custo: 8,2 bilhões; Obras contra Enchentes, Custo: 589,94 milhões; Urbanização do Engenhão e Deodoro, Custo: 167,90 milhões. Legado Esportivo: Arena do Futuro, Custo: 146,8 milhões; Estádio Aquático, Custo: 225,3 milhões; Complexo Esportivo Deodoro, Custo: 835 milhões; Laboratório de Dopagem, Custo: 188,36 milhões; Centro Internacional de Transmissão (IBC), Custo: 1,67 bilhão; Campo de Golfe, Custo: 60 milhões. Meio Ambiente: Baía Viva, Custo: 3,23 milhões; Esgotamento Eixo Olímpico/ Zona Oeste, Custo: 804,08 milhões.  


Mais Informações:

Na realização de nossas pesquisas, as perguntas não paravam Legado? Pra quem? Pra que? E Como? Chegamos à conclusão de que os Legados desses Mega Eventos não foram pensados para que a comunidade e a população brasileira usufruíssem das “melhorias” na cidade e no país. Esses Legados deixados por esses episódios garantem sim a exclusão social, o aumento da discriminação, da violência, da segregação, a violação dos direitos de ir e vir, do desvio de verbas, mas Garante a Manutenção do Poder e Defende os Interesses que estão concentrados nas mãos de poucos.
Usaram o discurso de que gerariam mais empregos, com mais linhas de metro iria melhorar a qualidade do transporte para a população. Fala-se em revitalização da Zona Portuária, mas não se ouve falar das remoções de famílias que habitavam as redondezas do local.
Em umas das mídias alternativas encontramos um documentário denominado Contagem Regressiva, organizado em quatro partes, produzido por uma Organização Não governamental (Justiça Global), juntamente com a Produtora Couro de Rato, o qual traz elementos que mostram o outro lado do Legado Olímpico, apresenta dados de que no Rio de Janeiro foram removidas 77.226 pessoas de suas casas e comunidades, traz informações da ordem imposta pela prefeitura utilizando-se da guarda municipal, a perseguição de ônibus que saiam das comunidades em direção a Zona Sul e de ambulantes. 

 

Mais Informações:
http://www.carosamigos.com.br/index.php/cotidiano/7579-documentario-expoe-violacoes-de-direitos-humanos-no-rio-olimpico
http://riscafaca.com.br/olimpiadas/o-legado-olimpico/
            Encontramos um material chamado OLYMPIC FAVELA (Favela Olímpica), elaborado por um alemão Marc Ohrem-Leclef, é um livro fotográfico, resultante de um trabalho realizado durante dois anos, com quatorze comunidades, que foram afetadas pelas obras das olimpíadas. O livro foi organizado em duas séries de fotografias, uma traz imagens de moradores em frente as suas casas demarcadas por códigos para a demolição e a outra traz residentes das comunidades segurando uma tocha acessa de emergência para simbolizar o sofrimento desses indivíduos. O conjunto das fotos em si traz a ideia de libertação, protesto, resistência, de independência e crise.
Mais Informações:

Nossa interpretação é que enquanto dentro do Parque Olímpico, os atletas lutam para ganhar uma medalha e uma posição, os moradores desses locais que foram atingidos lutam pela permanência de sua história, de suas raízes. Sabemos que as condições de vida dentro dessas comunidades não são das melhores, mas isso não justifica retirá-los do local onde possuem uma relação estabelecida há anos, um local que é sua referência. Cabe aqui uma ponte com uma música de um grande poeta compositor brasileiro, Paulo Cesar Pinheiro que retrata a constante mudança das/nas relações humanas com o passar do tempo.

NOMES DE FAVELAS


O galo já não canta mais no Cantagalo
A água já não corre mais na Cachoeirinha
Menino não pega mais manga na Mangueira
E agora que cidade grande é a Rocinha!

Ninguém faz mais jura de amor no Juramento
Ninguém vai-se embora do Morro do Adeus
Prazer se acabou lá no Morro dos Prazeres
E a vida é um inferno na Cidade de Deus

Não sou do tempo das armas
Por isso ainda prefiro
Ouvir um verso de samba
Do que escutar som de tiro

Pela poesia dos nomes de favela
A vida por lá já foi mais bela
Já foi bem melhor de se morar
Mas hoje essa mesma poesia pede ajuda
Ou lá na favela a vida muda
Ou todos os nomes vão mudar



Mais Informações:



Acadêmicas: Eduarda dos Passos, Miria de Vasconcellos, Suelen Pamplona dos Passos.